sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Elisa e o anjo


Oh Pai que me escutas agora! És o senhor da criação, a origem de toda a vida e quem seria seu senão seu servo e amado filho. Tenho em ti a imagem de minha ultima esperança para que tua misericórdia me poupe dessa dor novamente. Sabes que vivi milênios sob tuas normas e regras. Sempre olhar pelos humanos sem permitir que os lobos do inferno devorem suas almas. E eu não tenho sido o mais tenaz guardião? Não tem sido eu a sentinela frente os portões do abismo? Não fui um valoroso guerreiro na batalha contra lúcifer e seus decaídos? Sei que compreendes minha fidelidade, pois é a ti e somente a ti que eu adoro.

Foram tuas palavras mudariam minha existência. Nada mais natural que interviesse na vida de um de teus tantos filhos. A ordem simples, mas conhecendo meu coração, tu sabias que me resgataria do sereno na vigília. Lembro ainda do dia em que escutei tua voz. Eu pairava sobre os céus sentindo tua presença na beleza da criação quando falaste para mim como apenas tu podes.

- Salve-a minha criança! — Tu ordenaste — Sábio és tu que me atende Enriel, pois o destino de tua protegida é especial.

Escutei e abri minhas asas ao destino. Mandaste-me resgatar uma garotinha que brincava ainda de bonecas das mãos de um pobre humano, perdido e sem poder sobre sua própria alma. Ele tinha levado a um novo nível o significado de opressão demoníaca e via na garota uma ameaça a sua comunidade. Quantos erros podem os humanos cometer? Explica-me senhor? Como podes amar criaturas que acusam crianças de bruxaria e ameaçam purificá-la com fogo? Deixa-me lembrar quando foi que isso aconteceu. Acredito que fora no auge na idade das trevas quando a Santa Inquisição começara a sua santa cruzada contra as mulheres da terra.

Quando eles ascenderam o fogo que deveria queimá-la, eu abri minhas asas e mostrei todo meu esplendor aos que vieram assistir sua execução. “Desci dos céus para proteger essa inocente!” Minhas asas a protegeram do fogo o tempo necessário para tirar ela daquele palco de morte e loucura. Entreguei-a um mosteiro onde deveria ser criada e protegida. Para mim minha missão estava concluída e eu tinha com sucesso satisfeito tua vontade. Mais um milagre fora realizado em teu nome.


Completada como estava, mas tua vontade ainda não estava saciada:

— Enriel meu filho. Obedece teu pai que ordenas continuar tua missão. Cuida desta menina, pois o seu destino é santo.

Sabias que meu destino era amar a garota que devia proteger e ainda sim testaste minha alma apenas para que eu pudesse sentir na minha pele o fracasso. Como não iria me apaixonar? Elisa era a mais bela e pura entre todas as criaturas e nem os anjos poderiam contestar a essa verdade. Essa pureza fora conservada quando fora criada por homens santos.

O tempo quando se tem milênios passa em um piscar de olhos, e quando eu menos notei ela já possuía as formas de uma mulher e pela primeira vez em toda a minha existência eu desejei uma mulher. Mas ela se esqueceu do seu anjo. O anjo que ficou por perto para guardá-la. Anjo fraco e lascivo, não se conteve em sua luxúria que como um humano a ela se apresentou. Isso senhor, eu sei que cometi um pecado, um dos que não posso me dar o luxo de me arrepender, pois foi essa mentira que me permitiu viver todos aqueles momentos com Elisa. O pecado então se torna tão relativo. Será que sou condenável? Escondi minha verdadeira forma porque me apaixonei pela minha protegida e eu não poderia aceitar o fato que ela se esqueceu do dia em que a tirei da fogueira. Senti ciúmes, senti inveja, senti raiva e me senti um decaído.

Aos seus ouvidos Senhor eu devo parecer um traidor. Mais um Judas que cheio de boas intenções faltei com ti. Mas podes me culpar? Podes me culpar se foi tu me deste esse sentimento tão profundo? Mas senti uma dádiva tua , ó pai, então me entreguei.

Eu a cortejei da melhor maneira que uma mulher poderia ser cortejada, e não depois de muito tempo eu e Elisa éramos marido e mulher. Orei para que tu não olhasses para mim nesse dia. Enquanto o sacerdote abençoava clamando teu nome eu imaginava se seria possível. Seria possível que tu realmente abençoaste meu casamento com Elisa? Ou se tivesse pena de teu filho, pois em tua infinita sabedoria sabias que eu estava fadado ao sofrimento. Elisa não era um anjo, e como tal estava presa ao destino de definhar com o tempo e finalmente morrer.

O tempo passa ainda mais rápido quando se está feliz. Morávamos não muito longe do monastério onde ela fora criada, mas era um lugar realmente abençoado na criação. Uma casa pequena e um riacho, um cachorro e uma vaca, e finalmente apenas eu e Elisa. Nunca me atrevi a ter filhos e isso sempre a incomodou, mas acabou por usar todo aquele instinto maternal em mim. Eu a deixei acreditar que estava envelhecendo junto com ela, fui mudando minha aparência de acordo com o tempo, mas mesmo que eu pudesse a enganar, ela não poderia enganar a morte.


Oh anjo negro! Quando eu te vi se aproximando de minha amada notei em teus olhos fundos o sofrimento que tuas ações iriam me trazer. Eu implorei Oh pai. Eu pedi ao meu irmão que me desse mais tempo com ela. Eu necessitava mais tempo. Ele me concedeu contra tuas ordens naturais, e me deu mais dez anos com Eliza em troca de um favor. Antes de saber do que se tratava eu aceitei.

Eu tive meus dez anos com Eliza, mas a morte sempre coleta o que lhe pertence e finalmente ele a levou. Meu deus, eu não quero ter que passar por isso novamente. Temo por minha sanidade. Eu te amo com todas as minhas forças, mas naquele momento eu me senti abandonado. Foi então quando me vi obrigado a obedecer outro que não a ti senhor. A morte coletou seu favor e me ordenou criar a maior praga da história da humanidade. Ele sabia que eu possuía tal poder, um poder concedido por ti, que deveria derrubar asas de anjos decaídos em pleno vôo. Esse poder fora usado pela morte e em nome da morte. Criei uma doença e matei quase um terço do mundo.

Nada mais importava. Elisa tinha morrido e o mundo se tornara cinza. Nunca poderia esquecer a sua face sem vida. Então que o mundo se tornasse um inferno. Mas falaste comigo novamente. Poucas palavras foram suficientes. Tu apaziguaste minha alma e encheste de esperança os meus olhos. Renovaste minha fé e meu amor em ti.

—Enriel não desconta tua ira no homem. Salva meu povo que tua mulher voltará a viver novamente. Deves esperar por ela, que ela deverá nascer, pois o seu destino é especial.

Com essas palavras abençoaste meu amor por uma mortal, e isso para mim senhor foi toda a benção que eu necessitava. Lembro que chorei de remorso por décadas. Mas quando consegui erguer a cabeça perante meus pecados, contra a vontade da morte, eliminei a minha praga da face da terra e decidi que esperaria por Eliza.

Não mais do que cem anos depois de sua morte, eu vivia em Florença no auge de um movimento de artes e ciências. O homem ganhava pernas e a usava para se afastar de ti. Surgiram então ateus, homens que renunciaram ao pai como o unico salvador. A tua igreja era liderada por pecadores que não conheciam remorço nem a tua palavra. Eles causavam mais medo que admiração ao seu rebanho, pregavam o fogo do inferno ao invés do paraíso de tua presença. Esta era a imagem do mundo que eu vivia, pois esperava o prometido regresso, e nesse turbilhão de mudanças eu realmente a encontrei.

Ângela era seu novo nome, mas eu podia ver claramente sua essência. Ela vendia flores campestres na praça central com a mesma pureza na qual me apaixonei. Meu coração bateu forte. Cem anos haviam se passado para que eu pudesse falar com ela e finalmente lá estava ela, como se estivesse me esperando. Tive medo, sim Pai eu tive medo da sua rejeição. Será que em sua alma ainda havia a memória daqueles anos que viveu como minha esposa? Pior... Será que a mantiveste ao teu lado, ou a punisse por meus pecados? Meu Pai é um Deus de amor, mas também é justo.
Tive que ousar e implorei para que ela me permitisse pintar uma tela com sua imagem. Eu me tornaria um pintor e necessitava de uma musa, alguem para dar cor as minhas telas e injetar vida ao meu mundo. Se alguém conseguiria fazer isso era ela.

Cabelos loiros na tela, olhos de mel doces como o leite do paraíso. Era assim que eu a desenhava. Seus olhos puros e sem nenhuma malícia do que o mundo tendia a sujar. Eu estava pintando o meu eterno amor, e a minha sinceridade a alcançou o suficiente para o cupido lhe fazer uma visita. Estávamos apaixonados. O matrimonio foi apenas a conseqüência natural das noites que passamos juntos, mas dessa vez eu não senti vergonha em olhar para ti, eu sabia que tu abençoaste meu amor e o fizesse a colocando em meu caminho novamente.

Cada dia que passei ao seu lado eu agradeci a ti e pedia para que tua benevolência afastasse o anjo da morte, pois temia que meu perdendo meu amor novamente eu perdesse a sanidade juntamente com o coração em meu peito.

Então senti na pele a força do amor que uma mãe pode ter. Ela teria que ter um filho. Eu podia ver através dela que esse era um vazio que eu não poderia preencher. Mas temia as conseqüências de fecundá-la. Nunca antes houvera uma mistura de um anjo com uma humana, e provavelmente ela não sobreviveria a gravidez de um ser hibrido.

Então Gabriel me deu uma solução. Eu poderia satisfazer Ângela sem por em risco sua vida. Soube através de meu irmão que Nápoles tinha uma igreja, uma igreja afastada da cidade que necessitava de cuidados. Ali funcionaria um orfanato. Viveríamos lá como zeladores da igreja e do orfanato sob o serviço do Padre Gillhermo, um homem de bom coração.


Deus tu sabes o que faz, tu sabes o que é certo, tu sabes o que teus filhos precisam fazer para serem felizes. Tu enviaste Gabriel e por ele tomei a decisão mais acertada. Ângela tomou conta de centenas de crianças e a elas se entregou. Eu assisti enquanto sua alma crescia a cada dia se tornando algo que nunca se veria na terra, por isso a cada dia que passava eu estava mais apaixonado.

Ângela superara a bondade dos humanos e por isso a cidade de Nápoles a amou. Muitos homens e mulheres atravessavam longos distancias em busca de conselhos e voltavam ou satisfeitos ou irritados por não conseguirem o que vieram buscar.

Mas nosso amor era grande, grande demais para ficar nos olhares, e quando a noite caía e os casais se juntavam para dormir, nós fazíamos amor. Isso foi minha dor. Pobre de mim no dia que descobri que estava grávida.

Não permiti que ela descobrisse que isso me desagradava, eu não queria estragar sua felicidade, nem das crianças do orfanato que fizeram maior festa quando descobriram que Mãe Ângela estava grávida. Eles teriam um novo irmão.

Quando os nove meses se passaram o terror me acomete. Ao raiar do dia a morte se aproxima de mim com palavras suaves e trazendo apenas paz:

— Tua esposa terá um filho Enriel. Mas isso custará à vida dela.
As palavras da morte, não importam como sejam ditas, são duras e trazem em sim as lagrimas da perda de alguém amado. Eu não poderia aceitar perder Elisa novamente.
—Não aceito. Uso meu poder contra ti. Removo-te da existência se tocar um dedo em Elisa novamente. Nem que eu tinha que encarar novamente as legiões de lúcifer. Eu não vou perdê-la novamente.

Mas a morte ainda serena e complacente com minha dor falou naquela sua voz rouca:

— Te alegra irmão. O nome de tua esposa será consagrado entre os homens e os anjos. Teu filho fará grandes coisas e será tanto anjo quanto homem. Ele será seguido por milhares e tentará mudar o mundo. Para o que ele está destinado a fazer, tua dor não é nada. Desde quando o mais forte entre os anjos de Deus se tornou tão egoísta? Desde quando a tu és permitido negar a Deus o direito natural de se juntar a seus filhos?
— Mas eu a amo e não quero séculos sem Elisa.
— Se a amas de verdade, deves deixá-la seguir em frente. Não podes ir contra o destino escrito por Deus. Nem para ti, nem para ela. Não importa quão forte você seja. O que está escrito virá a se passar, os que vão contra essa regra encontram apenas dor.

Oh deus! A dor novamente que me acometeu. O que fazer? Será essa realmente tua vontade? Será esse realmente o destino que tu me preveniste. O destino santo de se sacrificar em pro da humanidade trazendo a terra um ser humano e celestial? Meu sangue!

— Que seja então. Imploro humildemente, porém que me permita vê-la outra vez, nem que seja após quinhentos anos.
— Todos os homens voltam a terra, até se tornarem anjos. O tempo eu não posso te dizer irmão, mas tenhas certeza que a verás novamente.

A morte neste dia estava com um rosto completamente mudado. Ela estava mudada. Não havia necessidade do mal que ela carregava, nem da face bruta de monstro. O homem se encarregara desse trabalho, ela apenas se tornou um meio de transporte de um mundo para o outro. Ela me disse que no dia que meu filho fosse nascer ele levaria Elisa novamente. Ele a levaria numa carruagem dourada, pois ela não merecia menos do que isso.

Sabes que eu a curti. Durante seus últimos dias nessa vida eu a curti como podia. Não permiti distrações e passei as duas ultimas semanas com a cabeça em seu colo recebendo um caloroso cafuné. Mas a morte tinha falado a verdade e ao sentir a primeira contração, eu me permiti cair em prantos. Ela assustada queria saber porque eu chorava tanto, nada pude fazer a não ser avisá-la que morreria naquele parto. Para minha surpresa ela já sabia. Disse-me que o que estava carregando não poderia ser uma criança comum e como tal requeria maiores sacrifícios. Pegou a minha mão e disse que estava tudo bem. Tudo acontece com a permissão de Deus, e que quando ela se fosse, eu deveria lembrar-me disso.

Como ela sabia disso? Eu não sei. Será que tu a visitaste em suas orações? Eu sei que ela mereceria escutar tua voz, mas como ter certeza? Será que Gabriel a visitou como mensageiro de tua vontade? Ele me diria. Avisaria-me que meu amor eterno já não era inocente em relação ao seu destino.

Na segunda contração luzes desceram do céu. Eram anjos que vieram ver o nascimento de meu filho. Ele nasceu sobre grande festa nos céus, e como fora prometido, a morte veio ceifar a alma de minha esposa em uma carruagem dourada.

Muitos homens vieram ver o porquê que as luzes caíam dos céus, porque elas levavam a igrejinha isolada da civilização. Viram os anjos e o meu filho sendo levado por eles. Viram Ângela sendo entrando na carruagem e homenageada como merecia. Pois nascia um anjo e um homem também. Seu nome foi escolhido por Miguel e ele o batizou de Mikael, filho do céu e da terra.
Eles fizeram o que são acostumados a fazer. “Santa, santa, santa!” Gritavam para o mundo dos cristãos e rapidamente minha esposa deixou de ser Ângela a se tornar Santa Ângela, a santa protetora das crianças abandonadas. E novamente como prometido à história fez questão de esquecer que Santa Ângela possuía um marido como eu.


Assim minha família foi tirada de mim. Sei que um anjo não deveria ter aspirações tão egoístas, não deveria pensar em mais nada do que maneiras de te servir, senhor. Mas novamente, por tua honra eu estava só. Dividido entre a felicidade de ter cumprido teu desejo e a dor de perder minha humanidade. Ela era a única linha que me prendia ao humano que poderia ser.
Perdoe-me pensar assim senhor, mas o mundo que tu criaste se tornou cruel e vil. Apenas viver nesse lugar se tornou uma penúria sem limite. Não conseguiria mais viver sem sentir na pele o calor de tua luz. Então, depois de muito tempo, abri minhas asas e voei de volta ao paraíso. Sabia que não me seria permitido encontrar com Elisa. Ela entre tantas almas humanas voltou a fazer parte do Deus que a amou durante sua vida.

O tempo curou as feridas que acumulei na Itália. E eu deixei de ser homem para ser um glorioso anjo novamente. Minha aura era como antes novamente, tomei meu lugar entre meus irmãos e fui recebido como herói. Lembrei de quem eu era. Lembrei de quem eu podia ser e de minha missão. Deveria guardar os portões do abismo e manter as almas inocentes longe das tentações dos seguidores de lúcifer. Por isso me deste todo meu poder de destruição. Eu era tua adaga, tua arma contra teu inimigo, o escudo de teus filhos, e não poderia falhar ou falar em egoísmo. Um ser como eu não deveria ter o luxo de amar, talvez tenha sido isso que tu tentaste me ensinar. Uma lição difícil de aprender, mas eu sou um anjo e não sou perfeito. Em troca disso me tornava mais poderoso e capaz de executar qualquer pedido seu. Eu rasgaria os céus! E deles derrubaria mil anjos! Se esse fosse teu desejo. Mas não era. Desejaste que eu a encontrasse novamente. Foi como uma lança em meu coração celestial. Eu temia que a encontrasse perdesse minha identidade novamente.

— Enriel mim Filho. Conheces meu amor e eu conheço o teu. Sabes que meus planos são absolutos e te levarão aos meus braços, pois todos os pais amam seus filhos, tu não és diferente. Guardar-te-ei entre os meus favoritos, em troca tu deves executar minha vontade na terra. Tu serás minha vontade encarnada. Minha ira e meu amor para com os meus filhos.
— Sim pai é a ti que eu me entrego. Meu corpo é tua arma. Faz de minha carne tua ferramenta para espalhar a bondade e a fé de teu filho.
— Olhas para o mundo agora Enriel. És capas de ver o homem faz. Mesmo eu tendo sacrificado meu próprio filho para lhes mostrar um caminho, eles ainda sim me traem. Nada diferente de seus ancestrais que levam a Eva e Adão.
—Ela faz guerra, meu senhor. Mata o semelhante e a terra com pólvora e metal. Usa o intelecto para o mal, se corrompe e usa as bênçãos que tu os presenteaste para disseminar a dor e os preceitos de teu inimigo. Enquanto eu guardei a terra segura das legiões o próprio homem se tornou um demônio. Mal em essência. A terra precisa de uma punição.
— Preciso que tu intervenhas filho. Preciso que tu vás ao lugar onde você quando humano perdeste tudo.
—Teu desejo se tornará uma realidade.
—Teus irmão foram enviados em outras partes do mundo, cada um com a promessa de não falhar e não espero nada diferente de ti. Salvas os que lá moram. Salvas as crianças e salvas o sacerdote. Eu tenho um plano para elas, e ainda não chegou a hora. O homem se aproxima carregando as armas da tecnologia e do ódio. Se nada fizeres eles sucumbirão. Isso não é de meu desejo, nem de meus planos. Não irás falhar. Foi por isso que te criei. És o mais poderoso dos anjos e o mais fiel. Serves novamente e te tornarás completo novamente.
— Deixa-me ser tua lança Pai, ao invés do teu escudo. Deixa-me mostra aos homens que tua ira é verdadeira. Deixa-me tornar os homens temerosos novamente. Porque não me envias a Alemanha, e me permite destruir o líder. A sua alma já está marcada ao inferno e os anjos do abismo estão roncando por Hitler e os seus.
— Tu ainda és um anjo tolo. Tu não sabes que se essa fosse minha vontade, minha vontade apenas seria o suficiente para destronar os nazistas da terra. Mas como todo pai eu ainda tenho no fundo a esperança que meus filhos voltem a mim. Como um exército de filhos pródigos.
— Me perdoa pai. Eu apenas queria te servir.
— Enriel por isso te envio. Pois irás lidar com meus filhos e por isso que tuas asas devem se tornar o escudo dos inocentes. Possuis uma alma pura calejada pela lembrança daqueles que se foram e entendes o que significa ser humano.


Eu entendi minha missão. Pensei que poderia se tornar mais complicada que rasgar os céus e derrubar anjos. Como pudeste pedir que eu me tornasse novamente humano? Lançando-me novamente naquele reino de insensatez. Eu naturalmente viria a perder minha mente e a pureza de minhas asas. Principalmente quando eu vi a nuvem que cobria a Europa naqueles dias. Podíamos sentir na pele a dor dos homens. Os filhos de deus que escolheram viver sobre seus mandamentos caíam um a um. “Deus morreu!” alguns gritavam. “Devemos Orar!” outros. Mas o importante é que ninguém tinha tempo para ti senhor. Eles deveriam correr para sobreviver, quem parasse um momento seria pego pela fúria nazista, faltava comida, faltava água, faltava dignidade, mas em uma igrejinha na Itália um grupo de crianças, um velho padre e uma garota ainda oravam verdadeiramente. Pediam por um milagre. E tu ouviste me enviando para eles.

Aproximei-me da igreja disfarçado de um jovem soldado. Pedi abrigo e comida como um teste de sua bondade. Eles e convidaram para entrar e foi quando eu a vi novamente. Eu estava me tornando humano. Minha fraqueza como anjo. A única que era capaz de matar o anjo que vivia em mim.
Elisa estava mais linda do que todas as encarnações. Suas mãos calejadas pelo trabalho duro, seu corpo fragilizado pela guerra, mas ainda sim ela era muito bela, belíssima. Novamente me apaixonei. E a corda que tinha se partido, voltara a existir. Voltei a sentir os sentimentos humanos que antes me neguei.

Ela ainda me reconheceu. Como soldado ela não me conhecia, mas sua alma me esperava. Depois e alguns dias ela olhou nos meus olhos e disse:

— Eu estava te esperando. Porque você demorou tanto.

Eu ainda não tinha aprendido minha lição. Tu me ensinaste com tanto afinco, mas eu sou imperfeito, sou um anjo e como tal irei com certeza cumprir a missão que me foi confiada, mas não resisti a me entregar novamente a Elisa.

Eu não ousaria machucar nenhum de teus filhos, mas precisava cumprir minha missão. Minhas asas cobriram a igreja impedindo os nazistas de verem o que realmente estava lá. Foi assim que eu solucionei o problema. Nenhum com coração negro seria capas de ver a igreja, nos mantendo seguros pelo tempo que fosse necessário.

A guerra passou, Hitler caiu, o regime caiu e nenhum mal aconteceu com os que estavam na igreja. Eles não passaram fome, nem frio enquanto eu estive lá. E novamente eu perdi para Angela. Ela carregava o nome de Elisangela. Um nome lindo que deixava claro seu lugar na terra. “Enviada pelos anjos era o que significava”.

Amo demais Elisangela e seu amor é meu remédio contra as magoas da vida então deus que me escuta agora. Sei que tu sabias tudo o que eu contei. Conheces meu passado e conheces meu futuro. Eu ainda tenho esperança de viver com Elisa na terra novamente, esse é o mínimo que eu poderia conseguir. Mas peço a ti que respeite a vontade deste filho que te serviu por milênios. Peço que olhe para mim enquanto oro, senhor. Pois eu sou um anjo e ainda sim tenho a necessidade de tua ajuda. Sabes que com um toque meu eu poderia tornar Elisa a vida, sabes que eu poderia recuperar sua juventude e viveria para sempre com ela. Mas essas não são suas regras: O homem deve viver, envelhecer e morrer. Sina cruel no qual todos estão fadados. Mas peço a te que esta vez me escuta. Atende o único desejo que eu te faço, depois de milênios te servindo.

Um anjo não pode criar outro anjo. Não possuo esse poder, mas Deus se você vê algum merecimento em nosso amor. Protege do tempo meu amor por Eliza. Pega sua alma e transforma em um anjo de luz, assim ela poderia viver para sempre com tua benção e eu seria o teu filho mais feliz.
Me escuta, oh pai, tens piedade de meu sofrimento. Sou eterno e vou carregar para sempre a dor de perder meu amor. Tenho a sina mais cruel. O homem morre e renasce sem as memorias que o torturam. Um anjo não tem esse privilégio. Devemos nos lembrar para não cometermos o mesmo erro. Sei que um anjo não deve possuir uma paixão e que nosso único significado de existir é servir a ti, pai, mas tem misericordia e me protege de um futuro que eu não possa suportar.


— Enriel... Enriel meu filho. Criança minha.
— Deus tu me respondeste?
— Tens em ti os meus ensinamentos, és o mais poderoso de todos os anjos e um grande lider entre teus irmãos. Te valorizo, pois tu és meu filho e meu por te é eterno. Sobre teus desejos eles estavam escritos e por isso eu irei .........................................

CABE A CADA UM DECIDIR QUAL A RESPOSTA QUE DEUS DARIA. EU TENHO FÉ EM DEUS E MEU DEUS É UM DEUS DE AMOR. COMO É O SEU DEUS? ESPERO QUE CADA UM QUE LEIA ESSE CONTO, O TERMINE PARA MIM. BASTA ALGUMAS PALAVRAS DE UMA ESCOLHA DE DEUS. SERÁ QUE ELE POUPARÁ ENRIEL DA DOR DE PERDER ELISA NOVAMENTE E A TRANSFORMARÁ EM UM ANJO? OU ELE DECIDIRÁ QUE ELA DEVE MORRER COMO TODOS OS HOMENS?

Um comentário:

  1. Amor, obrigada pelo conto, ficou lindo e mais lindo ainda foi ouvir você lendo...
    Você escreve com a alma, essa é sua essência e seu lado homem rs!Todo homem tem uma face menino mas não é essa que define você, quem não te conhece pensa que você é "o Henrique doido"! de doido você só tem a forma de amar: insana, intensa, sem medo de falar o que sente e se entrega com tudo que tem a direiro! O amor e a loucura andam juntos!
    Amo a sua essência e você realmente me ganhou por isso!
    Ainda vamos ter um livro seu!

    Você me surpreende sempre e olha que me surpreender era algo impossível! com você é todos os dias!

    Em algum tempo passado eu já te amava...

    Liza Caldeira.

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"Todos tem um pouco de arte dentro de si".